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4º Domingo da Quaresma

Domingo Quaresma

DAS TREVAS À LUZ!

A liturgia deste domingo é profundamente batismal, ou seja, na cura do cego de nascença temos manifesta a graça e o rito batismal. De fato, o Batismo nos faz passar das trevas para luz, pois este sacramento nos dá a graça de brilhar a luz de Cristo, Por isso, desde a Igreja Primitiva, o recém-batizado é chamado de neófito, ou seja, novo iluminado.  O cego de nascença é a figura do iluminado pela luz do Senhor.

A escuridão, as trevas e a cegueira carregam um sinal negativo na Bíblia. Representam a desorientação, o pecado. Quando se vive no pecado, prefere-se que as obras fiquem encobertas, para que a hipocrisia não seja desmascarada. Ser cego é não reconhecer o Senhor, não abrir-se a salvação como foi a atitude de muitas testemunhas do sinal de Jesus no Evangelho. Por isso, acolhamos o convite do apóstolo Paulo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz do Senhor. Vivei como filhos da luz” (Ef 5,8).

Ser curado da cegueira é estar com os olhos abertos à salvação, é reconhecer onde estão os verdadeiros valores, superando os vícios das trevas. O cego de nascença tornou-se um enviado para a missão, pois foi ungido e orientado para ir até a piscina de Siloé (=enviado). Pela graça batismal, somos enviados para iluminar a luz de Cristo, para fazer o bem, deixando as nossas obras serem luz para o mundo pela força do Espírito de Deus (a saliva e o hálito significam o sopro divino).

Algumas características são marcantes na cura do cego de nascença do Evangelho. São notas características de todo batizado:

  • Não é mais reconhecido como cego (“é ele que pedia esmola?”): suas atitudes mudam, evidencia-se sua conversão. O cristão impressionar o mundo com a nossa mudança de vida.
  • Não tem medo da verdade. Os pais não têm coragem de manifestar o que aconteceu, as autoridades não admitem, mas o iluminado não vende suas convicções, testemunha com coragem a verdade, prefere ser expulso daquela comunidadedo que mentir. Precisamos de pessoas verdadeiras, pois como nos diz São Paulo, as obras das trevas nos causam vergonha, os filhos das trevas as escondem.
  • O iluminado está em uma constante atitude de procura: “Quem é ele?” Nunca está satisfeito, mas quer saber mais sobre aquele que o curou. Existe um constante peregrinar para o conhecimento de Jesus, o Senhor.

É preciso entender que Deus não escolhe um grupo seleto, mas faz sua opção na gratuidade. Deus escolhe os fracos, os pequenos, os pecadores, os doentes… Deus escolheu Davi e não Eliab, o filho mais forte de Jessé… A doença do cego não é um castigo, mas uma oportunidade para manifestar o poder de Deus. Hoje Deus escolhe cada um de nós para que vejamos longe, para que tenhamos olhos e mentes abertas e para que a nossa vida brilhe.

Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba-PR                

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